Carta aberta a Camila

Camila,

Escrevo para pedir desculpas pelos fatos acontecidos na quinta-feira ao tentar retirar os vários bancos que obstruíam a entrada do prédio de sala de aula. Obviamente, não tinha a intenção de te machucar e menos ainda de te agredir. Tampouco tinha a intenção de negar o movimento de defesa do ensino público, com o qual concordo e que defendo há muito tempo e que foi um dos motivos pelos quais me candidatei à direção. Menos, ainda, de silenciar o movimento estudantil que sempre ouvi e apoiei. O pedido de desculpas não repara o erro nem justifica a minha impaciência que advêm do grande estresse e provocado pelas dificuldades postas pelo cargo que ocupo.

Ao chegar ao Instituto naquela manhã, me deparei com a secretária do Mestrado em Geografia desesperada pois precisava garantir o curso de uma professora portuguesa, que nos visita com financiamento externo, cuja presença resultou de um esforço draconiano por parte dos coordenadores. O curso desta docente, na UFF Campos, se concentrou numa semana e se a aula não fosse ministrada a professora e o mestrado seriam prejudicados irreparavelmente dado que a aula não poderia ser reposta. Nessa situação, a questão posta a mim era decidir entre garantir a aula e aceitar condições de um movimento cuja pauta e programação eu desconhecia até o momento. Me precipitei e fui, eu mesmo, buscar um Datashow necessário para a aula. Fiquei muito preocupado ao descobrir que laboratórios e as salas de aula tinham o acesso bloqueado por bancos. Não consegui entender a razão desse bloqueio, sabia que havia um indicativo da ADUFF de ocupação em defesa do ensino público, mas estes tipos de movimentos nunca antes implicaram, no ESR, em restrições ao acesso. Por sua vez, sentia a pressão da avaliação do mestrado, cujos critérios e metas são difíceis de atingir e de manter.

Isto apenas explica minha atitude injustificável e lamentável. Lamento, mais ainda, que esse episódio tenha impedido que os que constroem o ensino púbico e gratuito, alunos, técnicos e professores conversássemos e tivéssemos encaminhamentos comuns. Reconheço o transbordamento e as inúmeras falhas na direção do instituto: minha dificuldade pessoal em lidar com os grandes obstáculos que nosso instituto enfrenta em sua expansão e ao mesmo tempo em prosseguir buscando a consolidação do que já temos e o adensamento da vida acadêmica, buscando inovar na organização e promover a Pós-graduação. Este episódio leva-me a crer que não estou à altura do desafio e penso na possibilidade de desistir.

Seja como for, é preciso pedir desculpas pessoal e publicamente e pensar com estudantes, técnicos e professores e como evitar situações como estas. Para isso, como primeiro passo gostaria de sua presença e dos estudantes na próxima reunião de Colegiado de Unidade.

Atenciosamente,

Hernán Armando Mamani

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